Guia para mulheres iniciantes no BDSM - 1. Pequena introdução

Oi gente! Dommenique surgindo na nave pra acalmar os ânimos da gurizada que não entende nadinha de BDSM. E pra vocês que já estão no nível 2 aguardem o livro que lá eu exploro um pouco mais os meandros loucos e exxxtimulantes do sadomasoquismo saudável. Aliás, quem quiser contribuir aqui nos comentários e ajudar as gurias e guris neófitos na arte, fique a vontade!


Perdeu a pré-pré-introdução? Taquió, nesse link.

a Rainha Xuxa antes do BDSM
Bom, vamos lá iniciantes: na sua forma mais básica o BDSM (Bondage / Dominação & Submissão / Sado-masoquismo) é uma reunião de práticas físicas e psicológicas ou com o objetivo de dominar ou de abrir mão do controle. Bondage é basicamente a arte de prender uma pessoa; amarrar, deixa-la sob seu controle. Dominação e submissão está explicado em si mesmo, um assume o controle, manda e outro se submete. E sadomasoquismo, embora seja muito mais complexo conceitualmente, vamos encarar inicialmente como uma dupla de sádico/masoquista que pratica algumas coisas (cof cof): um que atua no polo ativo (causar dor ou sofrimento) e outro passivo (aceita e sente prazer em ser submetido a isso). Esses termos tem milhões de outros desdobramentos filosofescos e muitas interpretações morais, sociológicas, antropológicas, pós-modernas, pós-antropofágicas, academiquês-franco-húngaras-latinas e blablabla, mas não vou encher o saco de vocês com isso. Deixa pra outra hora.

Eu comecei no BDSM já tem muitos anos, lá por volta de 1990 e bolinha. Ao longo dessas descobertas, visitas em chats, conhecendo pessoas na internet e na vida real notei que o sadomasoquismo tem uma reputação um tanto má. Brega. Esquisita. Algumas vezes me senti excluída pela propria linguagem utilizada na Liturgia ou pelos grupos coesos (ou nem tanto) que se formavam, desse tipo de panelinha que replica hierarquias sociais um tanto nocivas.

Uma coisa é certa:  O fato de que a representação padrão da mídia em torno do BDSM é decadente, caricata, perversa, depravada e, muitas vezes, ridícula, parece que reafirma o tabu. Mas o quanto você acredita na grande mídia e na edição famigerada atrás de ibope e sensacionalismo? Eu mesma, quando me meti a dar entrevistas, já sabia que seria super mal julgada por quem não se presta a dar uma pesquisada nos assuntos e engole as coisas prontas. Mas eu corri esse risco sabendo dele, e sério, não me arrependo. Mas você não precisa disso. Leveza, leveza! Sejamos independentes dessas representações formadas pela mídia para cativar o grande público. Empoderamente começa por aí. Analise por si mesmo e desinfete esses carrapatos!



Quando você começar a pesquisar vai acabar se deparando com um "meio" BDSM, grupos esparsos, regionais, que reunem pessoas que estão em comunhão com outras. É a tão confortável e necessária noção de pertencimento, aquela sensação de "não estou mais sozinho". Mas você não precisa pertencer a nenhum grupo - só se quiser. BDSM você pode praticar em casa, e repito, sem se autoentitular dominatrix, nem escrava, nem o escambau. No meu ponto de vista o segredo é deixar pra se inserir num grupo SE QUISER e só quando você descobrir o que é bdsm na SUA vida; e onde você se encaixa nele. Quais são as suas convicções? O seus desejos? Tem necessidade de sair falando pra todo mundo que pratica BDSM, ou não é melhor dar as suas experimentadinhas sem assumir nenhuma posição, hum... "teórica"? Afinal, os principios básicos do BDSM, vividos pessoalmente, podem ser extremamente libertadores e, a longo prazo, se você se envolver com ele, pode transformá-lo e transformar-se de um jeito que você nunca pensou.

Começa por uma mudança de posicionamento MENTAL simples: se você toma as rédeas do relacionamento, literalmente decide algumas coisas simples e não cai na armadilha do "o que você acha, meu bein?", não vai dar pane no nervo do cerébro do seu rapazinho! E sem mudar radicalmente sua personalidade (afinal, quem é você? não dá pra mudar da água pro vinho, né) isso vai aumentar a sua confiança sexual e estimular seu senso de domínio. Dê ao parceiro ou parceira uma pausa de ter que estar tomando as decisões. E veja que "dar" implica na ideia de que você já possui alguma coisa anteriormente, um poder inerente. Sendo você, sem tirar nem por! É só uma mudança de linguagem, de abordagem mesmo. Ele não vai surtar e vai conhecer mais sobre você:

ABILOLADA ! ASSANHADA ! SEMPRE LARGADA ! DESCABELADA !


Mas a questão não é ele, veja bem:  Ao mesmo tempo você se apropria automaticamente das decisões, sai do polo passivo e sente a responsabilidade de decidir. E não, isso não é trabalhoso. Isso é bom e vai te dar uma sensação de independência e poder. Afinal, você estará ativamente interferindo numa dinâmica quase padrão pra maioria dos casais.

O truque é ter uma mente aberta para a sexualidade e obviamente, qualquer coisa que cause dano ao seu parceiro ou a si mesmo não é bom! O BDSM está alicercado, literalmente, em três termos ESSENCIAIS: que ele seja saudável, seguro e consensual. O que ataca diretamente um desses estados não deve ser praticado. Nada de fazer joguinhos psicológicos pra fazer mal pro seu guri, hein... muito menos inventar de cortar o bracinho dele caso ele não concorde com isso - aliás, se encontrar pessoas assim mande-as ao psiquiatra.

Então, se você está pensando em seguir adiante e quer explorar um pouco o sadomasoquismo continua por aqui que logo passo umas diquinhas simples e bem legais.

Agora trabalhada na ombreira de vinil
observando seu domínio


9 comentários:

  1. Domenique voce deve escrever mais, amo ler seus textos, você além de ser muito linda é inteligente, divertida e dá uma super força pras meninas! Eu particularmente venho aqui pra lhe acompanhar e já passei por uma situação qe me fez sentir uma rainha e digo que isso foi importate demais pra mim! um beijo e obrogada por existir voce é demais.

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  2. Guria, amei o texto. Apesar de ter sido indicada para uma entrevista pela Monique Prada em 2012, só conheci seu trabalho anos depois, comecei seu livro e hj estou aqui no seu blog como fã e buscando conhecimento. Continue a escrever, seus textos são deliciosos, quem sabe role uma coluna. Parabéns e Sucesso!

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  3. Adorei, quando vai cuntinuar?
    minha mulher é uma dominadora de alma, gosta de estar no controle sempre e com tudo, mas ela não conhece nada sobre o mundo BDSM.
    Eu sou submisso, e gostaria muito que ele incorporasse algumas coisas no nosso dia a dia, aos poucos estou tentando trazer ela pra esse meio, mas não tem sido fácil e vejo aqui uma boa oportunidade de fazer ela entender o quanto juntar essas coisas ao que ela já sabe fazer muito bem que é mandar pode ser proveitoso, pra ela e pra mim mesmo.

    Parabéns, seus textos são ótimos!!!

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