Graphic Sexual Horror, the In$ex doc.


Até meados dos anos 90, os filmes de bondage ainda estavam baseados em cenas de donzelas em perigo e na escravidão glamourizada, conceitos que vinham implodindo desde a década de 70. Eis que então surge o Insex.com, com uma nova formatação para web: clipes para download no lugar dos DVD enviados pelo correio e uma estética que deixaria qualquer serial killer no chinelo. Referenciando suas experiências ao ver uma perfomance numa boate japonesa, o criador PD, também conhecido como Brent, formula um dos elementos que se torna evidente nos filminhos do Insex: o realismo-ismo-ismo. Como Linda Williams observa em Hard Core, essa pornografia tem uma preocupação peculiar com o realismo, apesar de continuar sendo um formato comercial que retém o episódio, ainda, na fantasia.

Os clipes do Insex fazem questão de passar autenticidade: tijolo a vista e madeira, paredes de concreto inacabadas, demolições, engrenagem de aço caindo aos pedaços, etc. O rapto é a narrativa sugerida, seguido de tortura no melhor estilo "pelo-amor-de-deus-socorro". Os atores (veja que até tenho dúvidas e coloco em itálico, tamanha é a fusão entre atuar e vivenciar) não recebem maquiagem e geralmente são pessoas comuns, e há uma ênfase em empurrá-los a extremos físicos e emocionais. E realmente, mesmo sendo tudo consentido, a extrema exposição física e emocional extrai cada gota de sofrimento dessas criaturas. Claire Adams, uma das modelos, fala sobre o Insex como um "rito de passagem". Num mundo carente de ritos legítimos, não deixa de ser: mesmo o site servindo a um fim comercial, utiliza uma narrativa que se aproxima do extremo.

No entanto o documentário denuncia que há falhas, que são o resultado não tanto de mal ou de crueldade, mas da mecânica humana imperfeita, rs. PD e seu engenheiro de equipamentos discutem sobre quem foi responsável por um tanque de água que quebrou. E também curiosidades escatológicas como a situação de um dos modelos que é um viciado em drogas e passou por muito menos aperto sendo torturado em frente às câmeras do que na sua vida real pra sustentar seu vício.
Graphic Sexual Horror é um clipe de vários minutos de duração de uma das transmissões ao vivo. PD bate numa um modelo, já nua e amarrada, no rosto. Era uma cena que não havia sido negociada. Um entrevistado diz que PD simplesmente esqueceu. Nota-se que a presença de PD pressiona a modelo, já em lágrimas, e ela aceita continuar. Segundo PD, "Esta não é a vida real. Este é um show" e, relutante, promete não bater no rosto novamente. Nesse sentido é algo insuportável de assistir, pois se trata de um exemplo clássico do que acontece nessa combinação explosiva - e irresponsável - de um Top extremamente agressivo e egocêntrico e um bottom muito assertivo.

Muito confuso. Por um lado poderíamos esperar que a modelo poderia ter dito "me ponha longe desse imbecil!". Por outro, existe o orgulho pseudo-celebridade que passa pela cabeça de uma modelo Insex, além da sua própria condição masoquista e submissa que diz sempre - posso mais, quer ver? No entanto, há também muitas pessoas assistindo esse show ao vivo e pará-lo no meio seria um vexamezinho. Com uma sessão de fotos ou vídeo normal, eles poderiam ter parado, renegociado. Mas as pessoas pagam mais para shows ao vivo. Enfim, descobrimos o que está distorcendo a cena: Bling! Bling!

PD divulga, hoje, que tem 35.000 assinantes e dinheiro suficiente para pagar modelos a US $ 300 por hora, além de bônus. Esse tipo de grana muda as coisas, e não apenas para as pessoas por trás das câmeras. 

Mas o mesmo dinheiro que coloca o Insex nas cabeças, puxa pro fundão da cela. Este é um dos elementos mais interessantes da história e o menos documentado. PD alega ter um documento da Segurança Interna dos EUA que convenceu os bancos e empresas de cartão de crédito que a produção de pornô hardcore como a do Insex estava sendo usada ​​para lavagem de dinheiro por organizações terroristas. Dessa forma, a Insex perdeu sua capacidade de processar pagamentos. Isso não me convence completamente, pois não faz muito sentido. Alguém que vai lavar dinheiro do terrorismo provavelmente pensaria num negócio menos visado, como uma livraria ou uma rede de floriculturas. Estranhíssimo imaginar PD dar um depoimento do tipo: "gente, desculpe, botei tudo a perder com minha rede de pornografia desviante". Outros produtores, como a gigante Kink.com, apoiam essa história - que existem pressões do governo e do setor privado para impor limites sobre o conteúdo pornô através do processamento de cartão de crédito. Uma pena que em em nenhum momento o documentário mostra o tal documento que está com PD. 

No final do GSH, a câmera mostra uma série de fotografias da Insex. Seja qual for sua orientação moral, sexual, animal, vegetal, o simples fato de olhar essas imagens despertará em você o questionamento que tem sobre essa estética. Como o clássico brega dos anos 90, você decide... pois o documentário não pensa por você.

3 comentários:

  1. O GSH ja esta disponivel na internet,acredito que partes dele no you tube.
    Insex.com é um divisor de aguas naquilo que consideramos como pornografia e sadomasoquismo.Interessante saber que foi o oriente que influenciou sua criação.Desde que me envolvi com bdsm fico perplexo em saber que os orientais em especifios,japoneses e chineses exercitavam essas praticas impunemnete.Cocoa-soft.net é um site pago de sadomasoquismo requintado que até pouco tempo atras era bem restrito.A questao é: até quando existirão pessoas que se submeterão as torturas por dinheiro?

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  2. Um bom documentário sobre os filmes da Intersec (Insex).

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  3. Eu adorava o Insex, um dos poucos que faziam breath play

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