Pra quem quer aprender sobre money slaves - e não só colocar crédito no celular

Uma matéria sobre a cracolândia. Muito mais que isso, vi o retrato de alguns bem sucedidos - e, nas minhas mãos, legitimamente otários  - paulistanos.
Alguns, que fique claro.
BjoBjo; tô aqui pra te usar!

Um trecho:

"Como todos sabemos, São Paulo é a 'grande cidade' da oportunidade e da concretização do sonho brasileiro cosmopolita. Uma cidade onde 'tudo acontece', que 'nunca dorme', onde todas as necessidades de gozo podem ser concretizadas na 'night' ('uma das melhores do mundo!'). Além disso, ela é a 'locomotiva' desse enorme país emergente que é o Brasil, seu poderoso e democrático centro econômico. Sim, uma cidade de diversidade, a mais 'multicultural' do Brasil, lugar onde toda cena da cultura acontece. Ela não é tão bonita quanto Rio de Janeiro, nem tão festiva quanto Salvador, mas isso porque ela é feita de gente que trabalha muito, que leva grande parte da economia do país para frente. 'Tudo isso' é São Paulo. E muito mais, é claro.

Pois há também uma fantasia com a qual o paulistano se identifica. Esse fantasma do trabalhador – do homem de bem – que, por ter dinheiro, fruto suado do trabalho, tem o mérito e o direito ao gozo que a cidade pode propiciar. Por isso, não há problema que os serviços sejam extremamente caros, pois é exatamente 'O preço' a marca que distingue o vencedor do derrotado. Em São Paulo, a fratura social gigantesca se individualiza em posturas que cada vez mais valorizam a distância que o dinheiro, os objetos e lugares de luxo assinalam entre uma elite e um populacho. O interessante é notar como a necessidade de gozo é mercantilizada e articulada com a classe social e os objetos-fetiches disponíveis a cada uma delas, seguindo uma lógica da desagregação, da desigualdade e do privilégio.

Esse tipo de fantasia social e individual tem uma força ideológica gigantesca e é pensamento dominante dentro da classe média e elite paulistana. Porém, o que elas realmente visam é mascarar as evidentes contradições do sistema social brasileiro. Nesse caso, São Paulo, como a maior cidade do país, se torna um lugar privilegiado para observar tais contradições e excessos, pois nela tudo é revelado como que por uma lente de aumento. Sim, pois o que não se diz é que os lugares comuns enumerados nos parágrafos anteriores apenas mascaram uma realidade social mutilada e desigual, assim como um estado de dor e sofrimento psíquico frente à impossibilidade de sentido e a desarticulação completa do desejo."

Matéria completa do Fernando Sepes aqui. Vale a pena, gostei.

Um comentário:

  1. Muito legal a matéria, Senhora. Realmente, reflexões interessantes podem ser derivadas do exposto no texto -- sem conta a própria reflexão central contida no mesmo --, não apenas quanto a estrutura sociológica bem como a nossa consciência interna a respeito de onde nos inserimos neste contexto... Interessante também imaginar QUEM no mundo das artes está a refletir e compor segundo esta ótica -- seja como denúncia, como louvação ou apenas como crítica reflexiva.
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